A circulação crescente da medetomidina, um sedativo de uso veterinário que vem sendo adicionado ilegalmente ao fentanil nos Estados Unidos, está provocando uma nova e preocupante crise de saúde pública, marcada por quadros de abstinência mais graves, prolongados e difíceis de tratar.
O toxicologista e patologista clínico Alvaro Pulchinelli Jr., presidente do conselho de ex-presidentes da SBPC/ML, explica: "Quando a medetomidina é adicionada ao fentanil, o desafio é muito maior, porque estamos falando de uma substância mais potente, com duração mais longa e efeitos cardiovasculares, neurológicos e psiquiátricos muito mais profundos."
Na retirada da droga, ocorre aumento importante da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e um quadro de encefalopatia, com risco real de vida. Os exames de rotina dos laboratórios hospitalares não estão preparados para identificar essa substância. A detecção exige métodos avançados como cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massa.
"Não vivenciamos aqui a epidemia de opioides observada nos Estados Unidos há mais de 15 anos, mas essa é uma substância nova e que pode, sim, ser introduzida no país. Ela precisa estar no radar das autoridades de saúde", afirma Pulchinelli.