Nova variante da Mpox acende alerta para vigilância genômica em 2026

Infectologista e docente do IDOMED, Dr. Iris Ricardo Rossin explica cenário atual da doença e reforça importância do monitoramento contínuo

Março de 2026
Nova variante da Mpox acende alerta para vigilância genômica em 2026

_Infectologista e docente do IDOMED, Dr. Iris Ricardo Rossin explica cenário atual da doença e reforça importância do monitoramento contínuo_

A identificação de uma nova variante recombinante do vírus da Mpox pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com registros no Reino Unido e na Índia, reforçou a necessidade de vigilância epidemiológica em 2026. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), o estado contabiliza, neste ano, 33 notificações de Mpox até o momento, sem registro de óbitos associados.

Embora o Brasil não esteja em situação de emergência sanitária relacionada à doença, especialistas reforçam a importância da vigilância ativa e do monitoramento genômico contínuo. A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, segue em circulação no país. Dados oficiais do Ministério da Saúde indicam que, após o pico registrado entre 2022 e 2023, o número de casos apresentou queda significativa, mas a doença permanece sob monitoramento.

De acordo com o médico infectologista e docente do IDOMED, Dr. Iris Ricardo Rossin, a vigilância contínua é fundamental diante da possibilidade de eventos de recombinação viral. "Novas variantes podem surgir quando dois vírus relacionados infectam o mesmo indivíduo e ocorre troca de material genético. Isso não significa automaticamente maior gravidade, mas exige vigilância qualificada e capacidade de sequenciamento genômico", explica.

Segundo o especialista, além da identificação e notificação de casos suspeitos, é essencial investir em monitoramento laboratorial avançado. "Testes convencionais podem não identificar vírus recombinantes. O sequenciamento genômico é fundamental para compreender a dinâmica da circulação viral e orientar estratégias de saúde pública", afirma.

Historicamente, a maioria dos casos de Mpox apresenta manifestações leves ou moderadas. Formas graves são mais raras e costumam ocorrer em pessoas imunossuprimidas.

**Transmissão**

A Mpox é transmitida principalmente por contato direto com lesões na pele, fluidos corporais, mucosas ou objetos contaminados. A transmissão pode ocorrer também durante contato íntimo.

**Prevenção e orientação**

As principais medidas de prevenção incluem evitar contato com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais, higienizar frequentemente as mãos e procurar avaliação médica diante de sintomas como erupções cutâneas, febre e aumento de linfonodos. A vacinação contra a Mpox está disponível no Brasil desde 2023, com aplicação prioritária em grupos de maior risco.