O papel da telemedicina e da tecnologia - dispositivos médicos - durante e pós-Covid-19


A “Grande Quarentena” tem acelerado mudanças importantes em nossa sociedade. Primeiro, destaco a virtualização de diversas atividades em um prazo bem curto e em grande escala. Segundo, nota-se o aumento da preocupação dos pacientes em relação ao risco de infecções em ambientes hospitalares. Terceiro, a agilidade necessária em tempos de crise resultou, por exemplo, na rápida regulamentação pelo Ministério da Saúde da telemedicina durante o período da pandemia. Finalmente, a sociedade despertou para a fragilidade de seu sistema de saúde e da grande dependência da economia para seu adequado funcionamento.

 

A combinação destas mudanças irá proporcionar um grande avanço no virtual care (cuidado virtual) no Brasil, incluindo a telemedicina e monitoramento remoto de pacientes. O “novo normal” contará também com a evolução do business as usual (negócio como de costume) para health as never (saúde como nunca). 

 

Importante reconhecer que outro impulso importante irá ocorrer com a democratização da tecnologia 5G, que será até 100 vezes mais rápida que a tecnologia atual, suportando milhões de dispositivos conectados por metro e com transmissão de dados virtualmente instantânea. O leilão para a tecnologia 5G no Brasil deverá ocorrer em 2021

 

Além disto, a adoção em massa de wearables (ou “tecnologia vestível”), que já atinge 21% dos americanos, segundo pesquisa recente do Pew Research Center, permitirá monitoramento contínuo de batimento e pressão cardíaca, oxigenação do sangue, nível de glicose, qualidade de sono e nível de atividade física.

 

Neste momento de distanciamento social, profissionais de saúde têm aprendido a estabelecer a conexão médico-paciente de formal virtual. Conforme artigo publicado recentemente no The New York Times, a telemedicina pode resultar em diagnósticos e tratamentos mais rápidos, aumentar a eficiência do atendimento e reduzir o estresse do paciente. Entre as vantagens, estão a redução de longos tempo de espera para atendimento, menor custo e praticidade do atendimento virtual, importante também para pacientes idosos com dificuldade de sair de casa.

 

O entendimento do escopo ao qual se aplica cuidado virtual é outro que pode ser ampliado. A visão predominante antes da Covid-19 engloba o uso de telemedicina para orientações em casos de baixa complexidade e seguido de uma primeira consulta presencial. Com os aprendizados ocorridos durante este período, a compreensão sobre o potencial da telemedicina poderá ir além do atual, em especial sobre sua aplicação em regiões remotas em que a alternativa de atendimento presencial é muito limitada. 

 

As questões relacionadas a cybersecurity e privacidade também têm tido bastante destaque durante a pandemia. Penso ter ficado bem mais claro a todos sobre a importância de fazer uma seleção adequada das ferramentas de telemedicina, buscando aquelas de fontes confiáveis e que cumpram requisitos legais de privacidade e garantam a verificação de identidade e a integridade e proteção dos dados.

 

Finalmente, o avanço tecnológico, em particular aquele relacionado à área de mobile health, tem permitido cada vez mais a desospitalização. Esta tendência reduz custos e evita infecções hospitalares, e, ao mesmo tempo, proporciona aos pacientes um ambiente de menor estresse e maior conforto para enfrentar sua doença. O Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, por exemplo, tem um programa para monitorar remotamente o peso, a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos e o nível de oxigênio no sangue de pacientes crônicos. Desta forma, diante de qualquer alteração significativa, uma enfermeira entra em contato telefônico para manter a doença sob controle e evitar hospitalizações. Para tratamento de casos agudos, o Hospital at Home (HaH) – ou Hospital em Casa – do Johns Hopkins tem sido uma referência, com os pacientes sendo admitidos em sua própria casa e cuidados por meio de telemedicina e sistemas avançados de monitoramento, ao mesmo tempo em que recebem visitas diárias de médicos e demais profissionais de saúde. Acreditamos que o novo normal deverá contemplar também a adoção de programas como estes por diversos hospitais pelo Brasil.

 

Enfim, os impactos da pandemia com a COVID-19 irão acelerar tendências como desospitalização, adoção da telemedicina e cuidado virtual, fazendo com que a distância física seja uma variável de menor relevância à medida em que o mundo virtual vá se integrando, colaborando, se colocando em lado a lado com nosso mundo físico. 

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