Quantas ondas teremos?


Sempre que vislumbramos uma queda ou estabilização da COVID-19 somos assombrados por uma nova onda de aumento das infecções e óbitos. Essa situação tem elevado o nível de angústia e de preocupações da população – já bastante afetada pelo cansaço de um ano da pandemia.

De imediato, acusações podem ser feitas às autoridades que não tomaram as providências necessárias para evitar o que vem ocorrendo. Também existem os “profetas do acontecido”, com suas explicações posteriores à ocorrência dos fatos.

No Brasil, estamos cometendo muitos erros, alguns iguais ou semelhantes aos cometidos durante a gripe denominada espanhola no início do século passado. A notícia alentadora é que não teremos na COVID-19 o absurdo número de óbitos da outra, principalmente porque o cenário, após cem anos, mostra que atualmente respondemos com tratamentos mais eficientes.

Sem dúvidas, temos a certeza de que as autoridades poderiam ter corrigido ou evitado muitos erros que foram apontados – o que não podemos nem devemos deixar de registrar como cidadãos. Afinal, o governo central minimizou o problema e atrasou as providências que levaram a tais complicações.

Assim, a disponibilização das vacinas ainda está em descompasso com as nossas necessidades. Devemos reconhecer que a demanda de vacinas é mundial e, portanto, que existe dificuldade em obtê-las. Mas cremos que demoramos demais nestas negociações. O fato positivo é que algumas delas serão fabricadas no país, o que certamente facilitará sua distribuição e dará mais garantia da sua disponibilidade.

Mas é fundamental apontar que parte da sociedade não colaborou e continua não colaborando com as medidas apontadas como essenciais pelas autoridades da área da saúde. O distanciamento social, por exemplo, não poderia, após tantas evidências de sua necessidade, ainda ser desrespeitado de forma irresponsável como está ocorrendo. Não é compreensível que policiais tenham que, sistematicamente, interromper festas e aglomerações por todo o país, tentando ainda conscientizar parte da sociedade de que são inadequadas. 

Depois de um ano de pandemia e dos fatos claramente perceptíveis da gravidade da doença, temos ainda que conscientizar ou a saída seria punir severamente? A sequência de ondas da COVID-19 só poderá ser interrompida pelo binômio distanciamento social e vacinação. Portanto, dependemos tanto de ações do governo quanto de atitudes responsáveis por parte da população. 

De norte a sul do país ouvimos pedidos extremados de governadores e prefeitos de todos os partidos políticos e ideologias, todos solicitando o cumprimento do distanciamento social e o uso de máscaras. Enquanto isso, continuamos assistindo a população se aglomerando e descumprindo pedidos e decretos. Vamos exigir a responsabilidade dos nossos governos dentro da quota que lhes cabe, mas não podemos deixar de cobrar da sociedade a responsabilidade que também lhe cabe.

É constrangedor para um país assistir a irresponsabilidade da população mais jovem, e às vezes não tão jovem, descumprindo os cuidados essenciais necessários para reduzir o contágio da doença. O carnaval foi suspenso, mas verificamos aglomerações durante esses dias como se houvesse sido feriado. As praias foram fechadas e continuamos verificando as pessoas lá se concentrando. O turismo continuou a existir como se nada estivesse acontecendo. Observamos, aterrorizados, o aumento significativo de pessoas mais jovens adoecendo gravemente e ocupando as UTIs por mais tempo, o que nos leva ao colapso no atendimento. E sabemos perfeitamente as razões que levaram a isso.

Temos ainda muitas dúvidas a serem esclarecidas. Após a doença ou vacinação, em que grau estaremos protegidos para esta infecção? Por quanto tempo isto acontecerá? A vacinação deverá ser anual como ocorre com a da gripe? Em quanto tempo teremos um medicamento eficaz para o tratamento da COVID-19?

São respostas que só o tempo dará. No momento, o que é possível observar são os sinais de um cenário mais animador da doença nos grupos que foram vacinados preferencialmente.

As armas que dispomos hoje para evitar a doença são as vacinas, o distanciamento social, o uso de máscaras N95 ou PFF2 e a higiene das mãos. No mais, somente com ações concretas de nossos governantes e uma efetiva colaboração da população teremos condições de vencer esta pandemia! 

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