Vacina: uma esperança para 2021


Não existem palavras viáveis nem adequadas para se efetuar uma descrição do ano de 2020. Como prever que, nos tempos atuais, ocorreria uma tempestade viral com a intensidade gerada pelo Coronavírus? Como imaginar que, com todo o avanço da ciência, não existiria no arsenal terapêutico nenhuma medicação antiviral que pudesse fazer frente à capacidade destruidora do Sars-CoV2, assim como estimar as diferenciações dos diversos estágios da doença?

Trata-se de uma infecção que pode ocorrer com zero sintomas, ou um par de espirros, indo até os mais altos estágios de insuficiência respiratória, acarretando falência de diversos órgãos. A alta morbidade deste vírus desencadeou uma grande mortalidade – observada tanto em nações cientificamente desenvolvidas como em regiões com níveis mais baixos de pesquisas em saúde. Além disso, é evidente que a falta de cuidados extremos em aglutinações de pessoas, pouco uso de máscaras de proteção, principalmente entre jovens, ou não tanto, colaboraram para o agravamento da situação, resultando em contaminações disseminadas que incidiram justamente nos mais vulneráveis. 

Estamos em plena segunda onda na maioria dos países e terceira em alguns outros. A mutação viral é um fato palpável, e o que mais assusta é a capacidade de transmissão dos vírus mutados. O fato alentador é que iniciamos este ano com a tão aguardada notícia de que a vacinação contra a COVID-19 teria início no Brasil, o que aconteceu em 18 de janeiro.

Claro que o problema não está resolvido, estamos somente começando a resolvê-lo. Muita fé, otimismo e esperança serão necessários neste momento. Ao mesmo tempo, a consciência de que a imunização da população em níveis que nos darão segurança será um processo lento e gradativo. Não existe no mundo vacina para a imunização dentro de um período curto, assim como a logística necessária é complexa e demanda tempo.

Em nosso país, para atingirmos a população de todos os recantos, teremos a necessidade de uma quantidade imensa do imunizante e a utilização de várias marcas e procedências. Portanto, teremos que abandonar os calendários e encarar 2021 como um “prosseguimento” de 2020. Desta forma, continuaremos nos vendo de longe, via tela de computadores ou smartphones, tentando fazer com que as atividades prossigam nas formas possíveis. 

Assim, ainda não temos como prever quando realmente 2021 começará de verdade. Todos os planejamentos, estratégicos ou não, estão à mercê do comportamento viral e, principalmente, da vacinação em massa que no nosso país começou tardiamente, influenciada por discussões que envolveram vaidades políticas e falta de planejamento estratégico, além da alta demanda mundial pelo imunizante, evidentemente.

Teremos que conviver durante todo o ano de 2021 com restrições e cuidados que provavelmente irão se atenuando com o passar do ano. Deverá existir um cuidado extremo para que, movida pelo cansaço e otimismo exagerado, a população não se descuide do uso de máscaras e do distanciamento social – absolutamente necessários ainda por muito tempo.

O ambiente laboratório clínico em 2021 promete ser agitado. Além de diversos setores estarem cobiçando essa fatia de mercado – pensando sempre no quantitativo, sem nada mencionar sobre o qualitativo –, as consultas públicas 911 e 912, apesar de estarem em estado de congelamento, poderão ser lembradas a qualquer momento.

A RDC 302:2005 necessita de uma revisão com visão e centralidade laboratorial; realizar uma análise laboratorial não é simplesmente colocar uma gota de sangue no orifício de um dispositivo e verificar se aparece um traço corado, ou apertar um botão em equipamento e transcrever resultados. Exige controle da qualidade, expertise técnica e ambiente adequado, assim como isonomia regulatória. 

A pandemia está antecipando muitas inovações e os Laboratórios Clínicos devem estar preparados para absorvê-las e incorporá-las em sua rotina. Devemos estar preparados para uma gama importante de inovações em metodologias e equipamentos e várias mudanças nas características do atendimento e fornecimento de laudos. Será necessário ter atenção constante, pois esses incrementos poderão chegar com mais brevidade que se possa esperar.

Porém, a grande novidade nos dias de hoje não são as mudanças; elas sempre aconteceram e acontecerão no mundo. O que surpreende é a velocidade com estão ocorrendo, deixando pouco tempo para implantar e encontrar novos rumos. Mas existe um dito popular que diz: “não fica bola picando na área, ou você chuta ou outro chutará”. Ocorre que, quando você chuta, o fará para o lado que desejar; se deixar para outro chutar, ele fará para o lado que ele quer.

O mundo pós pandemia certamente manterá muitos comportamentos e hábitos de consumo que foram modificados e que mostraram vantagens. Assim, enfrentaremos o ano de 2021 na forma e na medida em que ele for se apresentando e, assim, realizaremos as adequações necessárias continuamente.

Tomara que tenhamos sucesso!

 

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