Vacinar ou não vacinar


É inexplicável que um direito individual possa superar o direito coletivo. Portanto, a resposta é simples: todos devem se vacinar, exceto quem, por razões médicas, seja desaconselhado. No momento atual é a única arma que possuímos para controlar esta doença e ninguém tem o direito de colocar a população em risco decidindo que ele não quer fazer a vacina.

As instituições de pesquisa e as universidades uniram-se às indústrias farmacêuticas e num tempo reduzido nunca antes visto conseguiram produzir várias vacinas, hoje muitas já disponíveis.

A pergunta que mais é feita: qual é a melhor? E a resposta deve ser pragmática: aquela que estiver disponível na sua cidade e no seu posto de vacinação.

Todas passaram pelo crivo técnico da ANVISA, que tem demostrado muita serenidade e acerto técnico nas suas decisões. Não temos possibilidade de comparar o desempenho obtido entre elas pelo simples fato que foram testadas em populações e locais diferentes. Temos que considerar que estas vacinas foram desenvolvidas em tempo recorde e serão aperfeiçoadas constantemente.

Ainda muitas dúvidas de difícil resposta se apresentam diariamente, dúvidas que ainda permanecerão por longo tempo: quem já contraiu a COVID-19 deve vacinar? Quem fez a primeira dose e desenvolveu a doença de contágio pré-existente pode fazer a segunda dose? Como posso avaliar a imunidade após a doença ou vacinação? Por quanto tempo estaremos protegidos? Como será o comportamento da vacina diante das variantes do novo coronavírus que estão surgindo?

Lentamente teremos, com o passar do tempo, estas respostas.

O indiscutível é que a COVID-9 é uma doença com evolução que vai desde a ausência de sintomas até comprometimentos que levam os pacientes à óbito. Da mesma forma, a resposta imunológica não tem o comportamento igual ao de outras doenças infecciosas. As dificuldades no enfrentamento desta doença têm desafiado os especialistas, que pouco a pouco vão adquirindo um melhor domínio do tratamento.

O mais alvissareiro é que estamos começando a controlar a doença com a arma que temos no momento: a vacina.

Mas é importante que não ocorra nenhum relaxamento nos cuidados de assepsia, uso de máscara e distanciamento social. As vacinas protegem contra o desenvolvimento de formas graves da doença, mas não é certo que elas previnam completamente a infecção. As pessoas vacinadas podem contrair o coronavírus e, mesmo que não adoeçam, tem a possibilidade de infectar outros - embora as chances sejam menores. 

A imunização da sociedade em níveis seguros levará ainda muitos meses. Afinal, a disponibilidade de vacinas, mundialmente, ocorrerá passo a passo. E a logística de vacinação é difícil e demorada. 

Até o início de março deste ano teremos em torno de 8.000.000 de pessoas vacinadas no Brasil – o que pode parecer relevante, mas representa tão somente 4% da população do país. 

Temos a sinalização do Ministério da Saúde que, até o fim deste ano, serão vacinados todos os brasileiros aptos a receberem a vacina - Vamos torcer para que isto aconteça.

Mas não podemos esquecer que, provavelmente, o processo de vacinação da COVID-19 se repetirá muitos anos ainda, até que o mundo tenha atingido níveis de imunidade que tornem possível considerar a doença sob controle.

São muito preocupantes as constantes notícias do surgimento de variantes do vírus e do potencial de serem mais transmissíveis, embora nada se saiba ainda sobre a possibilidade de causarem quadros mais graves da COVID-19. 

A produção internacional de vacinas vem aumentando dia a dia, também passaremos a produzi-las no Brasil. O que é uma estratégia que trará mais segurança quanto a sua disponibilidade.

Novas vacinas, ainda em estudo, estarão disponíveis, assim como as atuais serão aperfeiçoadas para enfrentarem as variantes do novo coronavírus.

Todos os dias surgem notícias entusiasmadoras de medicamentos testados que estão apresentando resultados positivos no tratamento da doença. Cremos ainda que neste ano poderemos contar com alguns fármacos testados disponíveis para utilização.

Com a vacina e com estes medicamentos passaremos a ter duas armas poderosas na prevenção e no tratamento.

De qualquer forma, esta pandemia deixará muitas marcas e lições a serem aprendidas. Com absoluta certeza, deixará como legado uma intensa e profunda mudança nos hábitos e atitudes da sociedade. 

Vacinar, sem dúvidas, é um ato de cidadania, de respeito à sociedade, além de uma proteção sanitária necessária.

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