Vinho E Chocolate, ingredientes certos

Por que os franceses têm menores índices de acidentes cardiovasculares que os norte-americanos? A resposta está presente numa taça de vinho tinto!


A busca pela saúde perfeita é, há séculos, um dos desejos da humanidade... E estudos apontam que a busca por mecanismos de prolongar a vida ganharam reforços saborosos, como o chocolate e até o vinho.

Tudo isso ocorre por causa da descoberta de um composto natural que está presente em alimentos simples do nosso dia a dia, como as uvas que são usadas na fabricação de vinhos tintos e também em chocolates com mais de 65% de cacau. Os polifenóis são apontados por pesquisadores como grandes aliados da saúde humana, inclusive na luta contra o desenvolvimento do câncer e também para o menor risco de acidentes cardiovasculares.

A popularização do resveratrol

Estudos epidemiológicos realizados na década de 70 resultaram na divulgação do primeiro polifenol, composto natural que ocorre em plantas, incluindo alimentos como frutas, vegetais, cereais, chá, café e vinho. Mesmo sendo questionado pela comunidade científica naquele momento, já que eram apenas estudos epidemiológicos, o resveratrol ficou popular ao ser apontado como a resposta do porquê os franceses tinham menos acidentes cardiovasculares que os americanos, mesmo com a população dos dois países tendo uma dieta rica em gorduras saturadas, encontrada no queijo, manteiga, pizza, carnes gordas e sobremesas que levam leite, por exemplo. Tudo isso é muito comum no cardápio dos dois países. A diferença encontrada nesses estudos epidemiológicos dos anos 70? Uma bela taça de vinho. Anos depois, o cenário contrastante entre a dieta rica em gordura saturada e o baixo índice de doenças cardiovasculares foi redefinido como “Paradoxo Francês”, nome popularizado pelo pesquisador franco-canadense Serge Renaud, especialista em estudos sobre os determinantes nutricionais da trombose. A França possui o segundo menor índice de mortalidade cardiovascular do mundo, atrás apenas do Japão. Neste momento, o resveratrol começava a ser levado a sério pelos cientistas.

A comprovação dos benefícios

É claro que tal descoberta foi vista com desdém pela comunidade científica, que só começou a levar a sério o assunto nos anos 90. Desde então, várias pesquisas científicas foram feitas e publicadas nas maiores revistas do mundo.

Em 2013, por exemplo, um estudo divulgado na revista Science por David Sinclair, da Universidade Harvard (EUA), comprovou os efeitos do resveratrol. A pesquisa mostra que o composto estimula a atividade de uma proteína, a SIRT1, que protege o organismo de doenças ligadas ao envelhecimento como o cancro, o Mal de Alzheimer e até o diabetes. Os ratinhos que tomaram resveratrol no laboratório ficaram relativamente imunes aos efeitos da obesidade e da velhice.

No Brasil, estudos também já foram realizados comprovando os benefícios. Um dos mais importantes foi publicado no ano passado na revista Oncotarget e comprovou os benefícios do resveratrol no combate ao câncer. A pesquisa é da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A pesquisa mostrou que o composto previne na mutação da proteína P53, estrutura presente em 60% dos tumores. O estudo testou o resveratrol como um inibidor da ação maléfica da P53 em células humanas. Os benefícios foram comprovados. A pesquisa ainda testou a ação da substância em células de câncer de mama implantadas em camundongos e com diferentes mutações da p53. O mesmo efeito de combate às proteínas mutantes foi detectado.

Onde os pesquisadores encontraram também o resveratrol? No chocolate amargo.

Alimentos com maior quantidade de polifenóis

Hoje, mais de 400 alimentos contêm polifenóis. Porém, alguns se destacam com quantidades maiores. Dentre eles, chamamos a atenção para as frutas vermelhas, a cúrcuma e o chá verde. Os benefícios apontados para o organismo variam dependendo do tipo de polifenol.

Por exemplo, a curcumina, que está presente na planta e no condimento conhecido como cúrcuma, funciona como varredor de radicais livres. Ou seja, os pesquisadores apontam que nosso organismo obtém benefícios, pois esses radicais evitam danos às moléculas de DNA.
Em abril deste ano, um outro estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal do Pará (UFPA) revelou que a curcumina pode auxiliar na prevenção do câncer de estômago.

Ou seja, a cada avanço da ciência, mais benefícios encontrados na natureza são divulgados. Com certeza, algo merecedor de um belo brinde.

Referências

ESTUDOS CIENTÍFICOS 

Estudo David Sinclair – Harvard https://science.sciencemag.org/content/339/6124/1216.abstract 
Estudo UFRJ – http://www.oncotarget.com/index.php?journal=oncotarget&page=article&op=view&path%5B%5D=25631
Estudo curcumina – https://www.futuremedicine.com/doi/abs/10.2217/epi-2018-0081