Aumenta 90% o número de robôs cirúrgicos instalados no Brasil

A utilização de robôs tem crescido principalmente nas operações do aparelho digestivo, antes disso, o número destas cirurgias já havia dobrado de 2017 a 2018.


Em um ano passam de 40 para 76 os equipamentos robóticos em hospitais privados e públicos no país e a procura por cirurgias para doenças comuns do aparelho digestivo cresce 14% no mesmo período.

O Brasil segue a tendência mundial em que as cirurgias robóticas serão uma opção cada vez mais presente de tratamento. Um estudo da Agência de Saúde de Michigan, EUA, publicado recentemente sobre a cirurgia robótica, apontou que o uso de robôs cirúrgicos por lá subiu de 1,8% em 2012 para 15,1% em 2018. A pesquisa, feita em 73 hospitais americanos, também mostra que o maior aumento foi em cirurgias para resolver problemas de saúde comuns do aparelho digestivo, como a cirurgia de hérnia inguinal (aumento de 0,7% para 28,8%) e retirada de tumores do aparelho digestivo.

Crescimento – Entre agosto de 2018 e fevereiro de 2020, houve um crescimento de mais de 90% no número de equipamentos de robótica cirúrgica instalados no Brasil; um salto de 40 para 76. A robótica cirúrgica começou a ser realizada em 2000 nos Estados Unidos (EUA) e chegou em 2008 no Brasil. De lá pra cá, já foram realizadas mais de 30 mil cirurgias e são 1200 cirurgiões certificados em mais de 14 especialidades médicas, segundo a única empresa autorizada a comercializar os robôs no país. Mais da metade dos robôs estão na região Sudeste, seguida pelo Centro Oeste, Norte/Nordeste e menos equipamentos na região Sul. A maioria está na rede de saúde privada, mas hospitais públicos do Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Recife e outras capitais já contam com os equipamentos pra atender a população.  

Dados do Programa de Cirurgia Robótica da maior rede de hospitais privados do país, mostram que o aumento de cirurgias gerais pela técnica é de 11,8%, do início do ano até agora.

“A utilização de robôs tem crescido principalmente nas operações do aparelho digestivo (14,5%), antes disso, o número destas cirurgias já havia dobrado de 2017 para 2018 e percebemos isso no dia a dia”, esclarece Ricardo Cotta, cirurgião oncologista do aparelho digestivo, especialista em robótica do Hospital Quinta D’ Or e cirurgião do Hospital Miguel Couto, no Rio de Janeiro. As cirurgias urológicas ainda representam cerca de 60 % dos procedimentos, mas cresceram menos de 8% no mesmo período. 

Vantagens – “Além da imagem ser em 3D, as principais vantagens da cirurgia robótica estão na maior precisão, amplitude e segurança dos movimentos, eliminando qualquer tremor das mãos com maior precisão, delicadeza dos movimentos e alcance a estruturas de difícil acesso”, afirma Ricardo Cotta.

Avanço – O Conselho Federal de Medicina pretende estender para todo o país, uma resolução  baseada na do Conselho do Rio de Janeiro – em vigor no estado desde novembro de 2019 – e que acaba com o monopólio da indústria para o treinamento dos profissionais. “Atualmente, os cirurgiões têm que pagar um valor muito alto para treinamento e certificação”, finaliza Cotta.

A partir da última Resolução, a certificação dos médicos cirurgiões em cirurgia robótica será função das Sociedades de especialidades afiliadas à Associação Médica Brasileira (AMB). Com isso, as entidades pretendem atender o aumento da procura pelo método e facilitar o acesso de mais especialistas aos equipamentos e novas cirurgias, que atendam às necessidades da população em geral.

Fonte: Dino 

Link da pesquisa: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2758472?resultClick=1

NOSSOS PARCEIROS